Antonio Ferreira Cesarino nasceu na Vila do Paracatu do Príncipe, noroeste da então província de Minas Gerais, em 1808, não havendo consenso sobre a data exata, e faleceu em 2 de novembro de 1892. Era filho do tropeiro Custódio e não se tem conhecimento do nome de sua mãe, apenas que faleceu logo após o nascimento de Cesarino, provavelmente por complicações no parto.
Foi criado por uma tia paterna, chamada Mariana, em uma fazenda nas proximidades da vila. Esta tia foi responsável por ensiná-lo a ler, escrever e contar.
Somente com 11 anos de idade que conheceu o pai, quando este retornou de suas viagens, e em pouco tempo partiram juntos para a Vila de São Carlos, futura cidade de Campinas. Não há fonte certa se Cesarino nasceu escravo ou livre, porém na lista geral de habitantes da Vila de Carlos de 1822, não há registro dele como escravo.
Com a morte do pai, Cesarino passou a viver como agregado de um importante fazendeiro da região, onde atuou como feitor de engenho. Nas horas vagas, aprofundava-se nos seus estudos, entre os quais o de música com Maneco Músico, pai do maestro Carlos Gomes. Teve também outras ocupações como carpinteiro e alfaiate, até finalizar seus estudos e conseguir seu diploma de professor.
No final da década de 1820, casou-se com Balbina Gomes da Graça, que era negra e alfabetizada.
Em 10 de março de 1860, fundou juntamente com sua esposa o Colégio Perseverança, também chamado Cesarino, onde foi diretor por 20 anos. O colégio era destinado à educação de meninas e apesar da maior parte serem de famílias ricas da cidade, também recebia alunas pobres, órfãs e negras, que não precisavam pagar mensalidade. A instituição funcionava em regime de internato e oferecia ensinos variados, dentre os quais ler, escrever, aritmética, gramática nacional, francês, caligrafia, história, geografia, música, piano e canto, prendas domésticas. Entre os professores estavam o próprio Cesarino, sua esposa Balbina, as filhas Amancia, Bernardina e Balbina, o jornalista Leopoldo Amaral e Amador Florence, filho de Hércules Florence.
De grande prestígio na época, o colégio recebeu a visita de Dom Pedro II, em uma de suas passagens por Campinas em 1875, e serviu de modelo para o planejamento do Colégio Culto à Ciência.
